Bikepacking de Florianópolis a Urubici

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Serra do Corvo Branco

 

Por Luciano Trevisol

O dia começa cedo pra quem vai viajar de bicicleta e a noite anterior é de pouco sono também, pelo menos pra mim. Lá pelas sete da manhã de sábado encontrei o Daniel no Quadrado e esperamos mais um pouco pelo Giovani e logo estávamos reunidos num propósito comum. O objetivo do dia era a cidade de Anitápolis, distante uns 100 km, como parte de um maior até Urubici. Por isso resolvemos encurtar ao máximo o caminho evitando as tranquilas estradinhas de terra, já conhecidos atalhos mais longos e um pedal mais tenso pela BR 282 nos esperava. A manhã passou rápido enquanto pedalávamos devagar e o maior risco foi oferecido por um piloto de moto disfarçado de condutor habilitado, conduzindo uma moto de corrida disfarçada de moto de passeio. Ele passou muito perto aproveitando ao máximo a tangente da curva sem acostamento da primeira subida, fez ventinho e tudo. Grande performance para uma plateia reduzida, assustada e logo indiferente. Seguimos pela onda de calor com mais umas subidas até entrar no acesso à rodovia que leva para São Bonifácio, onde está o Supermercado Monster, sortido lugar já conhecido de outras aventuras, que já foi apresentado como shopincenter para uma conhecida ciclista glamourosa.

Antes uma parada para beber qualquer coisa gelada enquanto uma mãe pergunta e procura pela filha que desapareceu no mercadinho, depois de tensos momentos a criança foi encontrada brincando na casa de amigos. O almoço foi em Teresópolis, com tudo o que o famoso bar ao lado do supermercado com o melhor atendimento precisa ter. Um senhor se aproximou quando nos ouviu falando sobre a necessidade de fazer sempre os alongamentos. Comentou que tinha fortes câimbras e dores nas juntas. Disse a ele que comíamos isso para evitar as câimbras, e dei um pedaço de banana-passa a ele. Ele deu uma olhada e mordeu um pedacinho, falou que ia guardar pra comer depois. Se ele jogou fora, não o censuro, a aparência é feia mesmo. Em seguida partimos para o Rio Miguel e sua serpenteante subida até a bucólica rodovia que leva ao objetivo do dia. Por aí já estávamos na metade do percurso, mais tranquilo pela ausência de automóveis e assim mais silencioso.

A arte do sofrimento nas subidas, aprimorada ao longo dos anos, não ajudou muito neste trecho. Principalmente porque subida é sempre subida e cansa mesmo. Mais ou menos 8 km depois chegamos ao asfalto e virando à esquerda percorremos mais alguns quilômetros. Antes de outra subida paramos para alongamentos e lanche, enquanto escolhíamos as terras que iríamos cultivar, analisando detalhadamente as grandes possibilidades para um futuro promissor na agricultura alternativa. Enquanto isso a subida ainda estava lá, esperando por nós. Encaramos e apesar do cansaço não tive câimbras, como em outras vezes, graças talvez sem dúvida à seção de alongamentos de antes. Tudo termina e aquela subida terminou também e lá de cima pude ver um pedaço do que vinha pela frente, uns 13 km de descida até o famoso bar da Tia do Pastel. Após, claro, uma parada para tentar repor o que não tinha como ser reposto, partimos para o restante do caminho até Anitápolis, com mais uma memorável subida, segundo a placa, de 1,8 km e acreditamos, como sempre, porque conhecer é mais arriscado.

4 Responses

  1. Fernando Morado

    Belo relato, você tem talento para escrever. Comecei no pedal e fiz, em junho, Santana do Riacho/Diamantina e em seguida Diamantina/Ouro Preto (Estrada Real, Caminho dos Diamantes). 650 km de muita subida, cascalho, sozinho e aos 59 anos. Faltam os trechos de Ouro Preto a Paraty (Caminho Velho) e Ouro Preto a Petrópolis (Caminho Novo), que devo percorrer no final de agosto. Após, pretendo encarar estas belezas da sua região, que já conheci de carro há bastante tempo.
    Abraços,
    Fernando Morado
    @moradopenna

    • aresta

      Oi Fernando, bom dia. Que bom que tu gostou do texto, escreva sua história também. Quando vier para pedalar por aqui avisa antes que se for possível vamos juntos ou te dou umas dicas dos lugares que já fui. Abraço luciano

  2. Fernando

    Olá Luciano, realizei o trecho da Estrada Real Ouro Preto/Paraty, +/- 700 km, também sozinho. Agora estou planejando ir para o sul. Vamos ver. Abs.

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